Material e apostila
O caderno, o livro, a apostila e o uniforme saem do orçamento de casa, e saem todo mês. Quem tem menos paga a maior fatia da própria renda para o filho continuar na escola, e é essa fatia que precisa diminuir.
Candidato a Deputado Estadual · Alta Mogiana, São Paulo
Hoje eu dou aula, e nenhum aluno meu devia depender do que o meu pai fez. São 35 anos de sala de aula, no ensino médio, num cursinho popular e numa escola técnica pública. Moro em Orlândia há 17 anos.
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Comecei a trabalhar ainda criança: roça de algodão e de milho, engraxate, geladinho. Nasci em Maurilândia, em Goiás, e a nossa rua não tinha energia elétrica.
Caderno, livro, apostila, uniforme e lanche. Nada disso aparece na matrícula, e tudo isso aparece no orçamento da casa todo mês.
Tem aluno que falta na prova porque não tem passagem de ônibus. Tem aluno que larga no meio do ano porque a apostila não cabe no orçamento.
Trabalhei nos três. A diferença entre quem termina e quem para quase nunca está na nota. Está no que a casa consegue bancar.
Nasci em Maurilândia, em Goiás, e morei na roça até os cinco anos. Trabalhei no algodão e no milho, fui engraxate e vendi geladinho. O material da minha casa foi comprado com sacrifício, e por isso eu enxergava quem estava sem. É aí que a política começa para mim.
Virei professor e entrei no sindicato. Ajudei a fundar um sindicato de trabalhadores em estabelecimentos de ensino, em 2005, e fui o primeiro vice-presidente dele. Não aceitava as desigualdades que eu via na sala, e continuo não aceitando.
Material, apostila, passagem de ônibus, merenda, bolsa e apoio psicopedagógico. É o custo de estudar. É ele que tira o aluno da escola, e é nele que eu vou mexer.
O caderno, o livro, a apostila e o uniforme saem do orçamento de casa, e saem todo mês. Quem tem menos paga a maior fatia da própria renda para o filho continuar na escola, e é essa fatia que precisa diminuir.
Sem passagem o aluno não chega, e quem não chega perde a prova. Transporte escolar e alimentação não são conforto: são a condição para a criança estar na sala no dia em que a aula acontece.
Programa de bolsa para a classe estudantil e apoio psicopedagógico na rede. É o que segura na escola o aluno que já está com um pé fora, e é a parte da conta que a família enfrenta sozinha.
O caminho foi o livro. Não vim de fora da educação para a política: vim de dentro dela, e da ponta, onde a conta do mês decide quem termina o ano e quem para no meio.
São 35 anos de sala de aula, um cursinho popular que eu dirigi, uma escola técnica pública que eu coordenei e um sindicato que eu ajudei a fundar. É daí que eu falo.
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Pai e mãe que compram o material, aluno de cursinho e de curso técnico, professor de rede municipal, funcionário de escola e quem depende do posto de saúde da esquina. É com essa gente que eu falo, e é dela que a agenda sai.